O debate nacional sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho ganhou força no Congresso Nacional e passou a mobilizar diferentes categorias profissionais em todo o país. Em meio às discussões, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e os Sindicatos dos Jornalistas emitiram uma carta aberta aos deputados federais alertando para tentativas de setores empresariais ampliarem a jornada dos jornalistas aproveitando o debate sobre a reorganização do tempo de trabalho no Brasil.
O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, presidido por Itamar Perenha, manifesta apoio integral ao documento e reforça que a jornada especial da categoria é uma conquista histórica ligada diretamente às condições específicas da atividade jornalística.
A carta destaca que a jornada de cinco horas diárias prevista na Consolidação das Leis do Trabalho não representa privilégio, mas sim uma proteção legal construída a partir das características da profissão, marcada por intensa pressão psicológica, estresse constante, trabalho noturno, cobertura de situações traumáticas e elevada carga cognitiva.
Segundo a FENAJ, o cenário se agravou nos últimos anos com a transformação digital e a exigência de respostas cada vez mais imediatas nas redações e plataformas digitais, aumentando a sobrecarga e o adoecimento dos profissionais da imprensa.
A entidade nacional também chama atenção para estudos realizados pela Fundacentro a pedido da federação, que apontam índices preocupantes de ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros transtornos relacionados ao trabalho entre jornalistas brasileiros.
Em outro trecho, o documento afirma que transformar a discussão sobre redução da jornada semanal em instrumento para retirada de direitos dos jornalistas representaria um grave retrocesso trabalhista e social.
O texto ainda ressalta que empresas do setor de comunicação receberam incentivos fiscais importantes nas últimas décadas, mas que isso não resultou em preservação de empregos. Dados citados pela FENAJ, com base em informações do DIEESE e da RAIS do Ministério do Trabalho, apontam queda superior a 18% no número de trabalhadores formais no setor entre 2013 e 2023.

Para o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, a redução da jornada de trabalho deve significar avanço social efetivo para todos os trabalhadores, sem abrir espaço para supressão de direitos historicamente consolidados da categoria jornalística.
A carta aberta encaminhada ao Congresso Nacional solicita que deputados federais rejeitem qualquer proposta destinada a ampliar a jornada dos jornalistas ou descaracterizar o regime especial previsto na legislação trabalhista.
Ao final do documento, a FENAJ reafirma que os jornalistas brasileiros defendem o fim da escala 6×1 para os trabalhadores, mas também lutarão pela preservação dos direitos conquistados historicamente pela categoria.
A íntegra da carta aberta da Federação Nacional dos Jornalistas será publicada pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso em seus canais oficiais.


