Chegar a um local com um documento em mãos e encontrar exatamente a pessoa a quem ele se destina, sem qualquer contato prévio, é apenas uma coincidência? Ou seria algum tipo de fenômeno telepático ainda não compreendido pela ciência?
Na foto, os jornalistas Kleber Lima, Fábio Monteiro. e este autor — amigos de longa data — registram um encontro totalmente inesperado, por volta das 15h da última sexta-feira, na tradicional Padaria do Moinho, em Cuiabá. O encontro foi tão inusitado que decidimos eternizar o momento com uma selfie. A ocasião gerou, inclusive, especulações curiosas: teria sido mera coincidência ou um fenômeno parapsíquico, com direito à transmissão de pensamento?
A hipótese de uma espécie de “teletransmissão” foi levantada imediatamente por Kleber Lima, diretor do site Hipernotícias. Fábio também comentou, sugerindo que tudo não passava de uma coincidência — ainda que inusitada.
Naquele dia, eu estava cumprindo a última etapa da entrega das carteiras de identidade profissional emitidas pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Esse documento, requisitado pelos Sindicatos, facilita o acesso dos profissionais às repartições federais — sobretudo em Brasília — e pode, inclusive, ser usado como substituto da carteira de identidade civil, já que segue rigorosos critérios técnicos e é confeccionado por órgãos oficiais.
Fábio era, justamente, o destinatário da última carteira pendente. Havia uma reunião marcada com quatro jornalistas para a formatação definitiva da ata que embasará o Acordo Coletivo de Trabalho junto à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), que recentemente retomou as atividades de mediação — fundamentais para as relações trabalhistas de categorias organizadas. Eu readequaria minha agenda para realizar a entrega após essa reunião.
Mas eis que, sem qualquer aviso ou acerto prévio, encontrei Fábio no local. E Kleber, ao me ver, imediatamente comentou que falavam sobre mim e sobre o próprio Sindicato naquele exato momento. Segundo ele, não havia dúvida: era “transmissão de pensamento”. Fábio, ao receber sua carteira — como mostram as fotos —, também refletiu sobre o caráter extraordinário daquele encontro.
A selfie, clicada após ajustes minuciosos de ângulo e luz feitos com dedicação artística por Kleber, registrou mais do que um momento casual: registrou um elo. E logo após, Fábio reafirmou que só poderia ser “teletransmissão” — ou algum fenômeno do gênero — o que nos levou a nos encontrarmos ali, naquela hora.
A convicção deles me fez repensar a tese da simples coincidência. Afinal, como nossas ações individuais se articularam de forma tão precisa para esse encontro? E justamente nas circunstâncias em que se deram?
Embora minha formação em ciências exatas insista no pensamento cartesiano e racional, confesso que, diante de tudo, o termo “coincidência” parece raso. Considerando a experiência desses colegas em coberturas jornalísticas e tantos eventos que vivemos juntos ao longo da trajetória profissional, prefiro classificar esse fato como “incategorizável”.
Afinal, o mundo não se move apenas pela nossa vontade. Ele se desloca a favor, contra, de forma neutra, precessiva, nutativa — e por tantas dinâmicas ainda em investigação pela ciência.
Mesmo com o rigor da lógica tentando prevalecer, não posso atribuir esse encontro ao mero acaso. Por isso, registro este momento especial, reconhecendo a beleza e o mistério das conexões humanas — e me permitindo, ao menos hoje, concordar com os colegas.
Como diria Shakespeare, em citação recorrente entre jornalistas e filósofos:
“Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.”
E talvez, um dia, a ciência explique o que hoje nos encanta como mágica — assim como Einstein nos revelou que E = mc².



